Quarta-feira, Outubro 18, 2017
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O que é a confraria?

A Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno é uma associação cívica e cultural, sem fins lucrativos, de carácter privado, criada em Julho de 2006.

Tem como objetivo social as actividades de confraria gastronómica com fins culturais e socias, visando preservar, promover e divulgar o Anho Assado com Arroz de Forno, como elemento essencial da gastronomia do concelho. Apresenta-se como sendo o prato típico do concelho e suporte da gastronomia tradicional portuguesa, ou seja, um elemento cultural da região e país.

A confraria tem como patrono Nossa Senhora da Natividade do Castelinho, homenageada no feriado municipal, dia 8 de Setembro, sendo sediada em Marco de Canaveses, na extinta freguesia de Fornos, actual freguesia do Marco, nas arcadas do jardim municipal.

Marcado pela geografia particular, o concelho de Marco de Canaveses abre-se ao mundo abraçado pelas serras da Aboboreira e de Montedeiras, e banhado pelos Rios Douro e Tâmega, demarcando um relevo acidentado e um clima de extremos. São características óptimas para a criação de anhos, das boas plantações e das vinhas excelentes, dando-nos excelentes motivos para a boa gastronomia que se faz em terras de Cármen Miranda.

feira-do-gadoAntiga feira do gado em Marco de Canaveses 

A gastronomia transporta uma importância cultural e histórica, com a capacidade de conservar a identidade e a memória das gentes da nossa terra. Como símbolo da cultura e dos nossos antepassados ela atualiza-se a cada ritual de refeição, desde a quotidiana à festiva, desde a mais simples à mais demorada e complexa de confeccionar. É um Saber fazer, mantido pela tradição, de um povo que transforma o sabor, o aroma e a textura de um prato, num ícone do turismo marcoense.

O Anho Assado com Arroz de Forno é por excelência um “prato de festa”, desde tempos imemoriais, ganhando especial destaque nesta região entre o Douro e o Tâmega onde a pastorícia complementaria a atividade agrícola. Encontrámo-lo por um lado, associado ao repasto que culmina o dia da vindima, sendo servido aos trabalhadores – não raras vezes vizinhos – de pequenas comunidades que se revezavam no espírito de entreajuda nas fainas agrícolas. Por outro lado, os casamentos, na ementa das “bodas”, contemplava obrigatoriamente o Anho Assado, que muitas vezes, aos invés de se perguntar a data do enlace, se interrogavam para quando o “Convite para o Anho” do vosso matrimónio.

A história do arroz de forno, típico desta região e que a confraria do Anho Assado com Arroz de Forno promove e defende tem uma particularidade. No tempo dos nossos antepassados, sabemos das dificuldades monetárias que se faziam passar por estas terras, terras estas também de barões e baronesas, de patrões e caseiros. Como era habitual, nos dias de festa, os caseiros preparavam o anho assado no forno para que pudessem degustar um belo manjar em família. No final da refeição, como pouco restava do anho, somente arroz, que também era delicioso, os caseiros encontraram uma forma de poder saborear o anho assado, colocando-o por cima da grelha, para que este ficasse a “pingar” os condimentos e o sabor do anho pelo arroz. Sabedores dos bons sabores, podiam degustar assim um arroz saboroso, com sabor a anho assado.

Da história também se fala do Anho Assado com Arroz de Forno. Relembramos algumas dos relatos:

“[…] Indra só o escutará, só concederá os benefícios rogados, quando em torno ao seu altar certos velhos, de certa casta, vestidos de linho cândido, lhe erguerem cânticos doces, lhe ofertarem libações, lhe amontoarem dons de fruta, mel e carne de anho. Sem dons, sem libações, sem cânticos, sem anho, indra, amuado e sumido no fundo do invisível e do intangível, não descerá à terra a derramar-se na sua bondade. (…)”

Eça de Queirós in A cidade e as Serras

 

“(…) E a quinta depois, com suas latadas de sombra macia, a dormente sussuração das águas regantes, os ouros claros e foscos ondulados nos trigais, oferece, mais que nenhum outro paraíso humano ou bíblico, o repouso acertado para quem emerge, pesado e risonho, deste arroz e deste anho. (…)”

Eça de Queirós in A correspondência de Fradique Marques

 

 

 – Sócio da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas desde 6 de Janeiro de 2009;

– Confraria Vice-Presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, no triénio de 2016/2018, representada pelo seu Chanceler Luís Brás